quinta-feira, 24 de junho de 2010
Reunião com Secretaria da Educação de SP
No último dia 22 de junho ocorreu uma reunião entre a direção da Apeoesp e a SEE, com a presença de Paulo Renato. A reunião foi protocolar e não devemos esperar muita coisa. Se comprometeu a resolver problemas de pagamento, mas para o que interessa de fato, Salário, Condições de Trabalho, Retirada das faltas da greve...Nada. O relatório completo da reunião está no blog www.conspira.zip.net
quinta-feira, 17 de junho de 2010
A classe operária - passos adiante?
Nos dias 05 e 06 de Junho de 2010,ocorreu em Santos o Congresso da Classe Trabalhadora - Conclat - O objetivo era de unificar os setores do sindicalismo, do movimento popular dos estudantes e oprimidos em geral (sobre esses últimos havia e há divergências), numa central de luta contra o Capital, uma vez que a CUT já não cumpre esse papel faz tempo. Estando alinhadíssima com as políticas governamentais. O congresso terminou com um impasse, que na aparência, envolve o nome da nova Central. Todos os setores envolvidos dizem-se dispostos a retomar a construção desse instrumento. No entanto, ao que parece, demoraremos um pouco para dar esse salto de qualidade. Já sabíamos antes das dificuldades uma vez que as concepções envolvidas no processo são bastante diferentes, tática e estratégicamente. No entanto, as necessidades da conjuntura nos levam a essa unificação. Dessa forma é necessário aprofundar esse debate e trabalharmos para unificar esses setores para além das disputas aparelhistas, de maneira a, de fato, organizarmos a luta em defesa dos trabalhadores e contra o capital.
terça-feira, 8 de junho de 2010
sobre a estratégia marxista e a centralidade da classe operária.
Após algum tempo sem publicações, resolvi transcrever no blog um trecho do texto " O Marxismo Hoje", de Sérgio Lessa, por achá-lo de grande importância para os revolucionários e para o setor da esquerda que tem apostado estratégicamente na via eleitoral. O texto, na íntegra, foi publicado in Dabat, C.R. e Abreu e Lima, M.S. História do Pensamento Socialista e Libertário. UFPE, Recife, 2009.
"Nos anos de 1980, era lugar corrente a ideia de que o proletariado não mais seria o sujeito revolucionário e que o processo revolucionário seria lento e longo, cotidiano, formado por pequenas transformações políticas no sentido mais burguês e estreito, isto é, no sentido da política eleitoral-parlamentar. E quando, na década de 1990, vier o neoliberalismo (de Collor a Lula), este encontrará as melhores condições para sua implantação. O movimento operário estava em refluxo e o movimento sindical se convertera à plataforma reformista; tudo o que interessa aos sindicatos é "negociar propositivamente" com os patrões. E, por fim, os próprios revolucionários estavam em larga medida enfeitiçados pela ilusão de que se chegaria ao socialismo pela eleição de seus pares. Ao invés de confrontar o neoliberalismo a partir da luta de classes, tanto o movimento sindical como os revolucionários em larga medida se desarmaram para tal combate ao atrelarem as lutas sociais aos seus objetivos parlamentares.(...) Nessa conjuntura, o debate teórico ficou dificílimo para os revolucionários. O fato de os representantes do setor mais combativo da classe operária terem se tornado parceiros do projeto neoliberal é um forte argumento a favor da tese do desaparecimetno do operariado enquanto classe revolucionária. Além da alegada aproximação dos processos de trabalho do proletariado e dos assalariados do setor terciário, além da introduçaõ da classe operária dos países capitalistas centrais no mercado consumidor de classe média, temos agora um identidade política entre os líderes sindicais e os políticos burgueses. Sem a presença cotidiana das lutas operárias ao redor de suas bandeiras históricas, têm-se a impressão de que a classe operária perdeu sua identidade e que, nesta medida e sentido, teria se fundido com o restante dos assalariados.
Não é isso, todavia, o que de fato está acontecendo. Sem qualquer referencial revolucionário (lembremos que esta fase viveu ainda o impacto do desaparecimento da URSS) e com suas lideranças histórias se convertendo em neo-pelegos, à classe operária não restou alternativa senão adotar uma postura defensiva. Deixou de lado o confronto com o capital e adotou a estratégia suicida de cada um lutar individualmente para manter o seu emprego "garantindo", pelo seu esforço e dedicação pessoais, que a "sua" empresa não entrará em crise e que não haverá mais demissões. Ao desempregado, ao invés da luta anticapitalista, resta iludir-se que seu desemprego é resultante de sua desqualificação. Seu "empoderamento" individual resolveria a situação. O problema do desemprego não seria um problema estrutural que dependeria de soluções coletivas, mas um problema individual de quem "perdeu o bonde". Ledo engano! Sabemos que a taxa de emprego nada tem a ver com a qualificação da mão de obra mas, sim, com as necessidades da reprodução do próprio capital.
A estratégia defensiva hoje predominante nos sindicatos operários os faz parecerem politicamente com os setores da pequena burguesia, com os assalariados de um modo geral. Este fato, por mais grave e mais sério, não altera, todavia, em um átomo sequer as relações de produção oriundas do fundamento do sistema do capital. Este sistema, ainda que tenha convertido em trabalho assalariado quase todas as profissões e atividades humanas, homogeneizando-as no que diz respeito à relação de assalariamento; ainda que tenha universalizado a transformação da força de trabalho em mercadoria pela mediação do trabalho abstrato, pela sua própria essência não pode cancelar o trabalho, o intercâmbio orgânico com a natrueza, como sua categoria fundante. (...)
Os grifos são meus. Aqueles que puderem leiam na íntegra.
"Nos anos de 1980, era lugar corrente a ideia de que o proletariado não mais seria o sujeito revolucionário e que o processo revolucionário seria lento e longo, cotidiano, formado por pequenas transformações políticas no sentido mais burguês e estreito, isto é, no sentido da política eleitoral-parlamentar. E quando, na década de 1990, vier o neoliberalismo (de Collor a Lula), este encontrará as melhores condições para sua implantação. O movimento operário estava em refluxo e o movimento sindical se convertera à plataforma reformista; tudo o que interessa aos sindicatos é "negociar propositivamente" com os patrões. E, por fim, os próprios revolucionários estavam em larga medida enfeitiçados pela ilusão de que se chegaria ao socialismo pela eleição de seus pares. Ao invés de confrontar o neoliberalismo a partir da luta de classes, tanto o movimento sindical como os revolucionários em larga medida se desarmaram para tal combate ao atrelarem as lutas sociais aos seus objetivos parlamentares.(...) Nessa conjuntura, o debate teórico ficou dificílimo para os revolucionários. O fato de os representantes do setor mais combativo da classe operária terem se tornado parceiros do projeto neoliberal é um forte argumento a favor da tese do desaparecimetno do operariado enquanto classe revolucionária. Além da alegada aproximação dos processos de trabalho do proletariado e dos assalariados do setor terciário, além da introduçaõ da classe operária dos países capitalistas centrais no mercado consumidor de classe média, temos agora um identidade política entre os líderes sindicais e os políticos burgueses. Sem a presença cotidiana das lutas operárias ao redor de suas bandeiras históricas, têm-se a impressão de que a classe operária perdeu sua identidade e que, nesta medida e sentido, teria se fundido com o restante dos assalariados.
Não é isso, todavia, o que de fato está acontecendo. Sem qualquer referencial revolucionário (lembremos que esta fase viveu ainda o impacto do desaparecimento da URSS) e com suas lideranças histórias se convertendo em neo-pelegos, à classe operária não restou alternativa senão adotar uma postura defensiva. Deixou de lado o confronto com o capital e adotou a estratégia suicida de cada um lutar individualmente para manter o seu emprego "garantindo", pelo seu esforço e dedicação pessoais, que a "sua" empresa não entrará em crise e que não haverá mais demissões. Ao desempregado, ao invés da luta anticapitalista, resta iludir-se que seu desemprego é resultante de sua desqualificação. Seu "empoderamento" individual resolveria a situação. O problema do desemprego não seria um problema estrutural que dependeria de soluções coletivas, mas um problema individual de quem "perdeu o bonde". Ledo engano! Sabemos que a taxa de emprego nada tem a ver com a qualificação da mão de obra mas, sim, com as necessidades da reprodução do próprio capital.
A estratégia defensiva hoje predominante nos sindicatos operários os faz parecerem politicamente com os setores da pequena burguesia, com os assalariados de um modo geral. Este fato, por mais grave e mais sério, não altera, todavia, em um átomo sequer as relações de produção oriundas do fundamento do sistema do capital. Este sistema, ainda que tenha convertido em trabalho assalariado quase todas as profissões e atividades humanas, homogeneizando-as no que diz respeito à relação de assalariamento; ainda que tenha universalizado a transformação da força de trabalho em mercadoria pela mediação do trabalho abstrato, pela sua própria essência não pode cancelar o trabalho, o intercâmbio orgânico com a natrueza, como sua categoria fundante. (...)
Os grifos são meus. Aqueles que puderem leiam na íntegra.
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